BRASÍLIA E O FUTURO
Adirson Vasconcelos (*)
Brasília tem mais futuro do que passado.
Esta afirmativa pode parecer um paradoxo, pois Brasília tem
um longo passado, uma tradição com mais de dois séculos,
desde o Brasil Colônia, pelas pregações e pelos
sonhos nativistas de Tiradentes, Bonifácio, Hipólito,
Varnhagen e tantos outros brasileiros clarividentes.
No Império e na República, muitos lutaram
pelo ideal de ter o Brasil uma Capital no interior central do País.
Outros, sonharam que a nova Capital seria um pólo irradiador
de desenvolvimento sócio-econômico-cultural para todo o
Centro-Oeste e o grande Norte. Até profetizaram o surgimento,
na novel cidade, de uma nova civilização para o Brasil.
Três Constituições determinaram Brasília
e três Comissões escolheram o local no Planalto Central,
em Goiás. Num momento de luz, um homem de fé e vontade
inquebrantáveis, o Presidente Juscelino Kubitschek, cumprindo
o desejo de muitas gerações de brasileiros, construiu
e inaugurou, a 21 de abril de 1960, a nova Capital Federal, Brasília,
nos altiplanos do Brasil Central.
Homens simples, quase rudes, retirantes do Nordeste,
de Goiás, de Minas e outras partes do País, fugiram da
seca e da falta de oportunidades para, sem quase qualificação
de mão-de-obra, lançar-se à epopéia de Brasília
e construir palácios admiráveis, belos edifícios
residenciais, avenidas, eixos monumentais etc, entregando pronta e acabada
o que a imprensa mundial classificou de “A Obra do Século”
e o filósofo francês André Malraux chamou de “
A Capital da Esperança.”
Assim, gente do Norte, do Leste, do Sul e do Oeste,
repetindo o feito dos fugitivos do deserto, na Antigüidade, acorreu
à terra prometida e, no Planalto goiano, edificou Brasília,
a nova Capital do Brasil. Construíram, também, famílias,
numa mistura integradora e numa miscigenação de tipos
étnicos os mais diversos - nortistas com gaúchos, mineiros
com cearenses, goianos com cariocas etc etc. Surge, daí, de uniões
conjugais, de relacionamentos, de mistura de costumes e tradições,
um novo tipo étnico miscigenado e com todas as cores nacionais:
a integração sócio-racial brasileira. O homem síntese,
o homem de Brasília, que desponta ao longo dos primeiros quarenta
anos de vida da cidade-Capital. Isto, num tempo de quarenta anos, o
que faz lembrar a caminhada de Moisés e seu povo para a formação
da terra prometida, na Antigüidade.
E este homem síntese, o brasiliense, com o aconselhamento
de pioneiros predestinados que edificaram a cidade e a sustentaram,
naturalmente com a assistência de entidades superiores, constrói
nos momentos iniciais do Terceiro Milênio, as perspectivas alvissareiras
de um futuro promissor para que se cumpra a profecia e implante-se no
interior planaltino, a partir de Brasília, os fundamentos de
uma nova civilização, já antevista por brasileiros
clarividentes e pelo sonho profético do padre salesiano Dom Bosco.
Assim, pelo pensamento construtivo e pela evolução
moral e espiritual, esta nova geração nascida no Planalto
Central brasileiro, este homem brasiliense, este homem síntese
nacional, fará de Brasília a Capital do Terceiro Milênio,
revelação esta que me foi feita, coincidentemente, pelo
Presidente Juscelino Kubitschek dias antes do seu falecimento, em 1976.
Será uma riqueza inconcebível, na visão de Dom
Bosco. A cultura e os valores morais se agigantarão! A ganância
pelo poder e pelo ouro não predominará mais. Os corruptos,
os hipócritas, os maus não terão mais vez na política,
na economia, na cultura. A preocupação maior será
o bem comum. A consciência evolutiva de cada um definirá
melhor os direitos e as responsabilidades na construção
da justiça social e da paz entre os humanos. O pensamento positivo
e a virtude prevalecerão sobre a matéria e sobre o vício.
O Brasil será o coração do mundo
e a pátria espiritual do planeta, na vidência de Humberto
de Campos. E Brasília será a Capital do Terceiro Milênio,
na antevisão do Presidente Juscelino Kubitschek.
A cada um da nossa geração cumpre realizar
uma parcela desta missão civilizadora. Sinta-se motivado e convidado
para este desafio superior de pioneirismo. Um privilégio e uma
predestinação.
Adirson Vasconcelos é historiador de Brasília
e
autor de dezenas de livros sobre a nossa cidade. |